Toda mulher é livre…

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Você sente medo? Não? Mesmo que, por exemplo, em uma situação você tenha que ir contra o pensamento dos outros? Se ainda assim sua resposta for afirmativa para a ausência do medo, pode desfrutar a beleza e a liberdade que há na coragem.

As mulheres ignoram o medo da dor do parto, da perda de sua própria liberdade para cuidar de um filho, mesmo que esse futuramente possa vir a ser inconstante e rebelde. Mas, há mulheres também que ousa, loucamente, a se opor ao pensamento de que a mulher deve procriar para ser feliz, a auto-suficiência é acima de tudo o segredo dessas.

Há mulheres que baila fantasiosamente um casamento, enquanto outras preferem bailar em uma pista de dança na Rua Augusta…  Uma estará muito preocupada em preparar o almoço, a outra, no escritório, prepara a pauta para a reunião da diretoria.

Seja qual for o paradigma superado pela mulher, sabe-se que ao final do dia o conforto e proteção são garantidos por ela mesma, talvez na figura de uma mãe…

Diz Schopenhauer que a mulher é um efeito deslumbrante da natureza; já eu acredito que a mulher é a origem de toda a natureza. À coragem, à superação e à qualidade de vida que essa traz a humanidade… Mulher é um paraíso!

POR WILKER DOS SANTOS

Série Confissões – Capitulo Especial – “Todo Mundo Cobra”

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Mais uma vez tocava o celular, porém, o que realmente incomodava Leandro era a música que sua esposa ordenara-lhe colocar como toque musical, “Cálice” de Chico Buarque interpretado pela Pitty. O celular cantarolava e vibrava “Pai, afasta de mim este cálice!”.

-Alô!

-Leandro, novamente você deixou a toalha molhada na cama! E deixou o DVD dentro do aparelho Blue-Ray, já estou cansada de tanto falar!

Enquanto isso, ele ia se dirigindo em passos rápidos para a Ambulância “Salva”, onde o resto de sua equipe o aguardava. O médico André e o enfermeiro Jonas, junto com Lidia. Eles sentados falavam da noite anterior de cada um. André tinha rezado a missa. Jonas escutou música até adormecer. E Lidia, de última hora aceitou um convite para sair.

Mas, Leandro estava ali, preso ainda à noite anterior, sua mulher fazia questão de no telefone dar o sermão. A ambulância dobrava a esquina para chegar até a escola a qual faria o plantão, por volta das onze e meia da manhã. O evento a ser coberto era a realização do exame nacional do ensino médio (ENEM).

Um escutava o sermão vindo através do aparelho, revirava os olhos. Lidia lamentava aos companheiros:

-Eu cheguei em casa para estudar ontem e, quando fui ver, já estava com uma taça de vinho na mão para beber e uma boca para sentir.

André exteriorizava um olhar calmo e sereno em quases todas as situações, após as palavras da colega, disse tranquilamente:

-Você deveria ter estudado! Será cobrada hoje na sua faculdade, não?

-Todo mundo cobra-nos o tempo todo! Viveremos sempre para cumprir cobranças? – um tom mais ríspido de Lidia.

O enfermeiro Jonas, permaneceu em silêncio até a escola, reservado e tímido como era. Mais imaginava do que realmente se apropriava das palavras dos outros. O que seria uma boca na outra, ou uma taça de vinho e uma mulher nua? Logo teve de interromper as viagens na maionese, pois avistou o primeiro trabalho que teriam:

-Olha! Ali no portão da escola uma menina desmaiou! – alertou para a equipe. Correu ao lado de Lidia para o atendimento. Viraram a adolescente para cima, com as costas no chão, soltaram o cinto que a apertava em sua calça jeans, elevaram as pernas dela acima do coração para restaurar o fluxo de sangue no cérebro. A garota despertara.

– Ei, menina, você está bem? Qual é o seu nome? – pergunta Lidia.

– Meu nome é Taline. O que aconteceu?

– Você desmaiou. Consegue andar até a ambulância para tomar água?

– Consigo, sim!

– Está nervosa por causa do Enem, não é? – pergunta Jonas.

– Não. Eu sou uma pessoa muito segura quanto ao vestibular! Sou otimista. Porém, acabei me descontrolando ao saber que meus pais irão se separar.

Jonas, que era o oposto da jovem, pessimista e inseguro, se interessa em saber mais da história:

– Mas a ponto de causar um desmaio… Então, foi uma decisão súbita, que te pegou de surpresa?

– Na verdade, não! Meus pais brigaram o ano todo devido a minha mãe permitir que eu não trabalhasse para estudar. E quando falei que iria fazer minha graduação e só iria arrumar um serviço na minha área, ele disse que não sustentaria vagabunda. E agora se eu não passar me sentirei um fracasso diante da minha mãe. E pior, a fiz perder meu pai por um investimento fajuto! – a garota começa a chorar compulsivamente. Chegando até o automóvel recebe um copo d’água.

Jonas informa o desmaio ao médico André. Que volta à atenção para a menina e consoladamente diz:

– Sua mãe vai te amar independente de qualquer coisa, sempre. E seu pai, provavelmente a ama também, só que não consegue lidar com essas situações. E Sobre passar ou não no vestibular, você precisa entender que será cobrada do mesmo jeito pelo seu pai, tanto se conseguir entrar na faculdade ou não.

Lidia percebera que o colega reaproveitara a conversa na ambulância para aplicar a Taline. Porém, a enfermeira era desprovida da possibilidade de tamanha sensibilidade para falar algo à menina. Lidia tinha em seu âmago um profundo ódio pelo mundo ao seu redor.

Taline precisava entrar na escola, se despede da equipe médica agradecendo a atenção. Vira às costas a ambulância e retoma as convicções do que tinha por futuro. Jonas, durante o dia atenderia muitos alunos igual a ele, inseguros de si mesmos, outros depressivos.

Lidia veria muitas meninas duronas como ela. Já Leandro, não veria nada, seu casamento estava o consumindo.

O fim do plantão acabou. Sentado em sua cama, André reflete sobre o dia que passara no trabalho. Jonas mergulhava-se no mundo da NETFLIX. Lídia estudava as apostilas de medicina ao som musical de “People in Planes” por Light For The Deadvine. Leandro abre a porta da casa, entra e vê sua mulher com o estiloso vestido azul, sentada no sofá e as pernas cruzadas.

– Precisamos conversar! – Ele decidido declara.

Ela se levanta, sensualmente o beija e em seu ouvido, docilmente diz:

– Cálice! (Cale-se)

 

CONTINUA… CAPÍTULO UM: LIGAÇÕES INDESEJADAS

Teaser da Série “Confissões” de Wilker Santos

A série de textos relata a rotina de trabalho de três enfermeiros e uma enfermeira que atendem emergências em ambulância. A cada episódio a interação da equipe com os pacientes vai mostrando a faceta de suas vidas. A trama tem como objetivo explorar os sentimentos humanos no limite das tragédias, dramas e conflitos pessoais.

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CAPÍTULO ESPECIAL SERÁ DISPONIBILIZADO EM BREVE AQUI NO BLOG!!!

Quando gritamos nossos sentimentos

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É difícil expor suas verdadeiras emoções e franqueza para os outros.

Ele engolia goela à baixo todos os seus problemas, os conflitos e a sua infelicidade. Era uma muralha. Mas aos poucos essa estrutura ia se rompendo. Ela gritava ladeira à baixo, “preciso de ajuda”, “sou infeliz”, e mais coisas do tipo dramático.

Ele tinha um inferno dentro de seu ser, mas fora dele, havia um paraíso criado pelo contrato social. Ela tinha o céu dentro de seu ser, mas fora dela, havia um inferno criado pelas fofocas daquelas que ela confiou-lhe contar a vida.

Muitas palmas para o menino, ele se formou em uma universidade e se casou. Vaias para a menina dramática “isso não é vida!”, ela não consegue saber qual universidade fazer.

A muralha em certa manhã veio ao chão. Ele que nunca dissera nada sobre seu problema com a vida provocara uma parada cardíaca. E ela que, choramingava para os amigos, viveria para escrever mais histórias como essa.

Prisões e ilusões Emocionais

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Imagem: Série Dr. House (4ºTemporada – Episódio 15 House’s Head) Cuddy é a pupila de House, e só é palpável em suas alucinações.

Até que ponto nós lutamos contra a razão e os fatos? Qual é o limite entre realidade e ilusão? Queremos mesmo as respostas ou fingimos estar no escuro tateando-as, quando na verdade, somente os olhos estão fechados?

Ele não consegue mais se envolver sentimentalmente, tem medo de sentir dor. Na verdade, tem medo da rejeição. De abrir o guarda-chuva para ela e ver que ela prefere ir pela chuva. Não suportaria mais uma vez a cena, de planejar um almoço particular e, quando chegar na hora ter outros sete convidados na mesa. De ir beijar a boca e receber o rosto.

Ele não consegue mais ter esperança contrariando os fatos. Quanto mais amigos forem, cuidará melhor dela. “Conquistarei o seu coração” pensava assim, mas  a verdade é que, sempre só é possível pedir.

Na realidade, ele senta sozinho no sofá. Ela abraça outro depois do jantar. Ele sorri de conformismo, ela de vitalidade. Para ele, não dava mais!

Ele tinha medo da rejeição. Começou a chover e não estendeu o guarda-chuva, recebeu um telefonema de outra e rejeitou o jantar. Recebeu a boca e deu o rosto. Resolveu conquistar relacionamentos impossíveis para não se sentir deprimido ao falhar nas possíveis.

Não respeitou os limites entre a vida real e o fantasioso… Cápsulas desciam-lhe a garganta e ele ria ao vê-la dizendo-lhe que não aguentava mais ficar sem seu amor. Até se beijavam felizes. A LSD e a VODKA deveriam aumentar cada vez mais para manter isso…

Autobiographys: Correr pela vida

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A porta de vidro é aberta, nesse momento, ele fecha as pálpebras. Dá alguns passos. Fecha-se a porta quando, de baixo para cima, ele vai recuperando a visão que por alguns segundos escondera ao fechar os olhos. Sai do edifício e sorri, “já passei por tanta coisa!”.

Seria uma grande caminhada pela àquela calçada até seu destino, ele começa a andar. Mas sente dor e precisa arrastar a perna esquerda, se não conseguir chegar a tempo é um outro quem toma seu lugar. Avança, continua…

Amor, Felicidade, Tristeza, Solidão, Fé, Incredulidade… “já passei por tanta coisa!”. Não era mais um desafio que o faria desistir. E aquele diagnóstico em sua mão já não importava. Tinha que continuar a caminhada de alguma forma, sua perna trazia uma marca além do tempo.

Na metade do caminho, ele busca no bolso algum comprimido para a dor. Nesse instante, uma bela moça passa do seu lado elevando a mão sentido à boca, ela ingere dois comprimidos de Cytotec (ainda faltavam quatro).

– Ei, não é pessoal! Mas não faça isso… Evite cair nesse buraco – Ele grita.

– Não se preocupe, eu irei perdê-lo. Não preciso de algo melhor… – Ela lamenta.

Ele iria falar mais algo, porém, notou no relógio que não tinha mais tempo. Era uma corrida pela vida e aquele papel, aquela síndrome…

Amor, querer bem mesmo sem ter as mãos dadas. Felicidade, a percepção dos detalhes da grandiosidade de viver. Tristeza, não ter as mãos dadas com quem se quer bem. Solidão, não conseguir ser acolhido e ter reciprocidade para sua alma. Fé, acreditar que tudo tem um propósito. Incredulidade – será mesmo que tudo tem um propósito?

Ele corre para a vida… Ela corre para um hospital.

“Já passei por tanta coisa!” Não era mais um desafio que o faria desistir.

Algumas das nossas prisões

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Quando nossas decisões decepcionam outras pessoas, o nosso mundo se choca com a realidade de terceiros; até que ponto eles devem interferir, ou mesmo, até onde podemos permitir que nos influenciem nas decisões?

Ele bate desesperadamente na porta, implora para que ela seja aberta. “Eu deveria ter escutado você! Eu quebrei minha cara, e estou arrependido.” Mas em outro lugar, existe um Ela ordenando que a deixe sair. “Você não pode controlar a minha vida! Eu preciso ter autonomia do que realmente quero!”

Ele se sentia infeliz e desiludido, precisava voltar para o seu mundo pequeno, assim pensava… O coração dele era aquecido e protegido. Ela se sentia infeliz e desiludida, precisava sair daquele mundo autoritário e pobre, assim pensava… O mundo é muito maior do que querem me obrigar a acreditar

Ele e Ela decidiram por si o caminho que deveriam tomar, testaram suas concepções e pagaram o preço necessário. Fecharam portas em alguns corações, mas tomaram as chaves das correntes que tinham presas em seus pés. A pergunta é: prosseguir ou se acomodar?

Hora de Parar o Coração

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O primeiro comprimido desceu a garganta de Victor, ele esperava alguma reação, novidade ou sintoma, mas nada aconteceu. Os dias passavam e nada mudava. O segundo, o terceiro, e a coragem de engolir mais comprimidos aumentava.

“Você está louco! Por que está se dopando cada vez mais?” – questionava-lhe o pai. E Victor tinha uma resposta – “Eu não quero sentir dor!”. Contudo, as pílulas não mudavam nada, era a mesma coisa: infeliz e solitário buscando o alivio de uma dor na alma.

Os fones nos ouvidos tocavam “Passing Afternoon” de Iron & Made, olhos fechados, enquanto naquela manhã o ônibus o levava para o fatídico emprego. As pálpebras de Victor tremiam conforme o embalo do autocarro pelas ruas esburacadas. Feixes de luz do sol penetravam-lhe as córneas e revezava com a escuridão das sombras nas árvores ao passo dos quilômetros percorridos. Nada o preocupava e nem incomodava naquela viagem.

A quantidade de passageiros no ônibus estava entre cinquenta a sessenta. Todos gritaram, exceto Victor que não demonstrara nenhuma feição. Das luzes e sombras penetrantes em suas pálpebras, um clarão definitivo, como a do fim do túnel para um moribundo. O autocarro estava tombado na pista com as ferragens destruídas. O acidente entre um caminhão e aquele ônibus metropolitano era noticiário para o dia todo.

Em algum lugar onde as nuvens podiam ser apalpadas, num jardim florido, lembrando o Jardim do Éden ou os Campos Elíseos da Mitologia, Victor admirado caminhava sozinho até que, avista um quiosque e nele havia uma bela moça sentada no banco de madeira. Ele se dirige até ela.

– Eu… Eu estou morto! Mas o que você está fazendo aqui, Lilian?

– Ainda não chegou a sua hora! – Ela responde sem hesitação.

– Nos vimos na semana passada, nos despedimos e você estava muito feliz com o preparatório de seu casamento – Ele se perturba.

– Eu vim para dizer que ainda não chegou a sua hora, você deve voltar.  Quanto a mim, eu não morri, fique tranquilo! – Lilian o acalma.

– Ah… Eu entendi! Você é o que os cientistas falam de última reação química do cérebro, a minha última visão, não é?

– Victor, você não acredita nisso como um milagre divino? – Lilian abre um belo sorriso.

Paralelo à inconsciência de Victor, jovens médicos tentavam reanimar o moribundo.

– Rápido, o desfibrilador… Se afastem! Um… Dois… Três.

O corpo recebe a carga elétrica das placas e no impacto salta na maca do hospital. Uma… Duas e três vezes.

– Eu quero ficar aqui… Não posso voltar, aqui não dói e… Eu… Não quero sentir dor… Eu não quero ser infeliz! – Victor em tom de lamento.

– Bom… Nem sempre se tem o que se quer! – responde Lilian, a amiga que ele amava e que estava para se casar com outro.

Os médicos corriam pela vida do rapaz. “Aumenta mais a pressão!” diziam.

– Os batimentos estão voltando! A oxigenação está boa!

O pai de Victor cruzava as mãos em forma de prece e suspirava “Graças a Deus!”.

A noticia chegava pouco depois da oração.

-Seu filho passa bem, será uma recuperação gradual. Cuidaremos para que ele não sinta dor.

Você está vendo o amor?

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Numa escola, na aula de biologia, o professor perguntou quantos estavam namorando. Espantou-se ao ver que somente seis alunos levantaram a mão.

– Vejo que os alunos estão bem focados apenas nos estudos – Disse ele admirado.

João olha para o fundo da sala e pergunta para os meninos:

– E aquelas meninas que vocês estavam amassando no intervalo de ontem?

– Elas são temporárias! – Um deles, respondeu.

Clarice agitou-se ao ouvir esta declaração e debateu:

– Os meninos, só querem saber de ficar!

Paulo, aluno à direita de Clarice, geralmente, não se pronunciava nas aulas. Porém, naquele dia pôs lenha na fogueira:

– Mas, eu já vi muitas meninas querendo ficar com os meus amigos, além de algumas pedirem pra mim.

O professor somente observava.

As meninas queriam ter a razão, os meninos também não abriam mão. Exceto, Estevão que não parecia estar preocupado com a discussão.

Logo, o professor o incitou:

– E você Estevão o que acha?

– Não acredito no amor! – exclamou ele

– Não acredita? E o que me diz da sua mãe e do seu pai juntos?

– Meu pai disse que não se separou ainda, porque teria que pagar pensão.

O mestre entendeu e viu o motivo da descrença do garoto. Não querendo constranger o menino, virou a cabeça para a lousa. Porém, o garoto continuou:

– E você professor, o que acha do amor?

– Eu acredito! – disse o mestre

– O senhor é casado?

– Não, sou divorciado. Mas, conheço pessoas que são felizes no casamento.

– Têm a tia Luciana e o tio Marcos, minha mãe e meu pai, primo Alberto e Caetana…

Ele parou alguns segundos pra pensar. Viu que as outras pessoas de sua família estavam em divórcio, adultério, ou agressões físicas do marido com a esposa e etc.

Entretanto, que bom o sinal havia tocado, marcando o fim da aula. Não lhe deu tempo para falar sobre as desilusões do amor.